Talvez Você Consiga: O Encontro entre Palavra, Imagem e Sensibilidade
- Larissa S. Cordeiro
- 19 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
É incrível como algumas obras conseguem tocar profundamente nossa sensibilidade e nos convidar a refletir sobre a vida e o mundo ao nosso redor. Foi exatamente assim que me senti ao explorar o livro "Talvez Você Consiga", de Imogen Foxell, com ilustrações belíssimas de Anna Cunha. Essa obra é um exemplo perfeito de como palavra e imagem podem se unir para criar uma experiência estética e emocional única.
É fascinante pensar no poema não apenas como uma forma literária, mas como um lugar de encontro entre a poesia e a humanidade. Octavio Paz já dizia que “o poema é um organismo verbal que suscita ou emite poesia”, e eu vejo essa definição perfeitamente refletida no livro. A história de uma menina que acredita ser capaz de mudar o mundo através de uma semente é narrada em versos que nos convidam a um mergulho profundo na sensibilidade e esperança.
Quando analisei o livro, decidi dividi-lo em três perspectivas: a estrutura do poema, as ilustrações e o diálogo entre esses dois elementos. Compartilho aqui um pouco das minhas impressões.

A Semente que Renasce no Leito do Livro
Na primeira parte da minha análise, observei como a estrutura do poema é fundamental para transmitir sua mensagem de transformação. Em "Talvez Você Consiga", a organização dos versos, as rimas alternadas e a repetição estratégica do título criam um movimento cíclico e envolvente. Um exemplo marcante é o verso inicial: "Disseram que eu não podia mudar o mundo [...] mas talvez você consiga." Essa frase se repete em momentos-chave da narrativa, reforçando a ideia de que pequenas ações podem gerar grandes transformações.
O ritmo do poema é outro elemento que me encantou. Ele traz uma musicalidade que guia o leitor por essa jornada, como se estivéssemos acompanhando os passos da protagonista em sua missão de plantar e cuidar de uma semente — um gesto simples, mas carregado de simbolismo.
Ilustrações que Cultivam Vida e Esperança

As ilustrações de Anna Cunha são, sem dúvida, um dos pontos altos do livro. Elas não apenas complementam o texto, mas ampliam sua compreensão e emocionam profundamente. Ao folhear as páginas, percebi como as imagens criam um contraste poderoso entre o cenário inicial árido e a explosão de vida que surge ao longo da narrativa.
Algo que me chamou atenção foi a dedicação da ilustradora: “Para todas as comunidades indígenas brasileiras, que resistem e lutam em defesa da vida. Para minha bisavó, mulher indígena.” Esse detalhe acrescenta uma camada simbólica à história, sugerindo que a protagonista possa representar uma menina indígena e conectando o tema da resistência ao cuidado com a natureza.
O Diálogo entre Palavra e Imagem
Por fim, quero destacar como palavra e imagem dialogam para criar uma experiência única. Cada ilustração parece complementar o que o texto verbal não diz explicitamente, criando um jogo de interpretações que enriquece a leitura. O ciclo de transformação — da aridez inicial à abundância final — é narrado tanto nos versos quanto nas imagens, de forma que um elemento potencializa o outro.
Eu acredito que “Talvez Você Consiga” é muito mais do que um livro ilustrado. É uma obra que nos ensina sobre esperança, resiliência e o impacto das pequenas ações. ASe você ainda não leu, recomendo fortemente. Tenho certeza de que você também vai se encantar com essa história que une poesia, arte e sensibilidade de forma tão bela.
Referências:
ANDRUETTO, María Teresa. A leitura, outra revolução. Edições SESC, 2017.
CANDIDO, Antonio. O estudo analítico do poema. São Paulo: Humanitas, 2006.
FOXELL, Imogen; CUNHA, Anna. Talvez você consiga. Rio de Janeiro: Pequena Zahar, 2023.
SALISBURY, Martin; STYLES, Morag. Livro Ilustrado Infantil: a arte da narrativa visual. São Paulo: Rosari, 2013.
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